| Grupo Lis de Comunica��o - Para�ba, 07/02/2012 |
Os nossos sentimentos e afetos habitam dentro de nosso interior. Se nos perguntássemos onde exatamente eles residem, alguns responderiam que dentro do coração e, os mais racionais, diriam que talvez eles morem dentro de nossa cabeça.
O fato de não conseguirmos localizar exatamente onde se encontram os afetos por nós sentidos, não quer dizer que eles não nos preencham. Os sentimentos não só estão presentes em todas as vivências que experimentamos como também dão tintas ao que estamos passando.
A importância de percebermos por quais sentimentos estamos sendo invadidos ou mesmo quais estamos experienciando, nos auxilia na tentativa de controle deles, uma vez que o governo efetivo dos afetos são da ordem do impossível.
Há quem acredite que na nossa vida sempre estamos revivendo sensações e sentimentos passados, dando apenas nova roupagem para as púberes situações. Canalizamos energias extraídas de outros locais ou outros para o que acreditamos ser do agora.
Neste sentido vale lembrar então, que aqueles sentimentos que nos recheiam e que não sabemos de sua existência, ou que por nós não são conhecidos, exercem influência sobre nosso comportamento, mesmo sem notarmos.
Mesmo sem posse de um conhecimento consciente destes afetos, eles influenciam todo o nosso dia-a-dia e nos levam a perceber as coisas de formas diferentes. Assim, vale lembrar que todo o tempo estamos canalizando energias vindas de outro lugar para um no qual ele poderá se encaixar.
“Via canos”, vamos fazer escorrer sentimentos de um lugar para outro, isto pode ser fantástico, já que pode nos dar forças para fazermos algo que não imaginávamos possuir competência para.
Mas também pode ser perigoso, uma vez que podemos transferir algo ruim de uma situação para outra. Cabe então, uma eterna tentativa de leitura e releitura do que se passa em nossos corações e mentes para podermos não canalizar o que não vale à pena.
Canalizar energia de um ponto para outro é natural do ser humano, mas não quer dizer que não precisa ser planejado o que por “via canos” irá escorrer. Tentar sempre reconhecer o que se sente frente às situações ajuda a orientar para onde queremos escoar que realmente vale à pena.
*Everaldo Lauritzen é psicólogo, com Mestrado em Ciências da Educação. Atuou como Psicólogo e Coordenador do CRAS - Centro de Referencia de Assistência Social do município de Porto Seguro – BA e como professor da Disciplina Fundamentos Psicológicos da Educação das Faculdades de Ciências Educativas – FACE – Eunápolis – BA.